Le Pen é condenado por declaração antissemita

Jean-Marie Le Pen, o fundador da Frente Nacional, partido da extrema-direita francesa, foi condenado nesta quinta-feira por ter colocado em dúvidas crimes contra a humanidade, ao dizer que a ocupação nazista da França não foi “particularmente desumana”. Um tribunal de apelações sentenciou o ex-líder da extrema direita, de 83 anos, a três meses de prisão, com direito a sursis, e uma multa de US$ 13 mil. Le Pen fez os comentários a uma revista em 2005.

A França tem leis estritas contra o discurso antissemita e os que negam o Holocausto, ou o genocídio dos judeus europeus entre 1939 e 1945. Le Pen foi condenado em 2009 com base nessas leis, mas um tribunal de instância superior anulou a condenação anterior e enviou o caso ao tribunal de apelações de Paris, que emitiu a sentença nesta quinta-feira. Durante a ocupação nazista da França, que durou de 1941 ao final de 1944, milhares de judeus franceses foram enviados aos campos de extermínio.

A filha de Le Pen, Marine, atualmente comanda a Frente Nacional e está em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de abril e maio.

Irã ataca mais uma vez interferência estrangeira

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, repudiou a interferência estrangeira na região em um encontro no Paquistão realizado para tentar obter um acordo político no Afeganistão.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, pediu por mais ações e menos palavras no encontro presidido por Asif Ali Zardari, enquanto Cabul busca ajuda para trazer o Talibã para as negociações.

O Paquistão, aliado histórico do Talibã, foi mais uma vez forçado a desmentir que estivesse fazendo um jogo-duplo ao apoiar a milícia, cujos líderes são conhecidos por manter relações próximas com pelo menos alguns elementos do Exército paquistanês.

“Todos os problemas estão vindo à tona. Visando alcançar os seus objetivos e ambições… eles não querem permitir que nossas nações se desenvolvam”, afirmou Ahmadinejad em uma coletiva de imprensa, em uma clara, mas implícita, alusão ao ocidente.

No centro das discussões estava o confronto de dez anos no Afeganistão, onde os Estados Unidos lideram uma tropa estrangeira com 130 mil militares e onde todas as partes do conflito agora aceitam que negociações são a única solução.

“Estamos aqui para fortalecer o caminho para solidificar a cooperação entre essas três nações. Iremos agir em direção a uma solução… e devemos impedir que outros interfiram”, disse Ahmadinejad.

Israel acusou o Irã de atacar seus diplomatas em Geórgia, Índia e Tailândia nesta semana, diante da especulação de que o Estado judeu ou os Estados Unidos poderiam estar a alguns meses de realizar ofensivas militares contra o Irã.

A polícia da Tailândia informou nesta sexta-feira que está procurando um quinto suspeito iraniano ligado ao plano frustrado de atentado, mas Teerã rejeitou todas as acusações.

Apenas quatro perguntas foram permitidas durante a coletiva na sexta-feira, nenhum repórter ocidental recebeu permissão para falar e o assunto das bombas não foi mencionado.

O Paquistão disse que irá fazer tudo o que for solicitado por Cabul para apoiar um processo de pacificação no Afeganistão, mas há um índice elevado de ceticismo por parte do Afeganistão e dos Estados Unidos sobre sua sinceridade.

“Precisamos agora formular uma política resoluta e implementável e que realmente aja sobre isso”, declarou Karzai na coletiva.

As relações entre Cabul e Islamabad são tradicionalmente carregadas de desconfiança, mas ambos os lados fizeram movimentos para uma reconciliação, buscando facilitar uma solução política no Afeganistão para reduzir a instabilidade na região.

“Nosso encontro de hoje entre os três países foi voltado para reconhecer no futuro oportunidades e perigos ao redor”, esclareceu o líder afegão.

Karzai disse, em uma entrevista ao Wall Street Journal nesta semana, que contatos em segredo têm sido feitos entre os Estados Unidos, o Afeganistão e o Talibã. A milícia desmentiu qualquer negociação. A Casa Branca afirmou que estava participando de uma reconciliação com o Afeganistão.

Islamabad está se encaminhando para um relaxamento de suas relações com Washington, que deu uma guinada drástica após uma operação secreta americana no ano passado, que terminou com a morte de Osama Bin Laden, e nos ataques aéreos que mataram 24 soldados paquistaneses.

“Eu nego essa ideia de que alguma de nossas Forças Armadas esteja direta ou indiretamente envolvida”, disse Zardari em uma coletiva, quando perguntado sobre evidências apontando para um envolvimento de espiões paquistaneses e oficiais de alta patente no conflito.

“Sim, eu não posso negar que haja resíduos no Paquistão da guerra contra a União Soviética”, referindo-se ao apoio dos mujahedines contra os soviéticos na ascensão da Al-Qaeda.

“Os três presidentes que você vê sentados juntos, nós iremos lutar contra esta ameaça. Ninguém está mais preocupado ou envolvido pessoalmente com isso do que eu”, disse ele.

Apesar das fortes objeções norte-americanas, o Paquistão afirmou que está avançando em um projeto bilionário para construir um gasoduto com o objetivo de importar combustível do Irã.

Israel pede que ONU condene ataques contra seus diplomatas

O embaixador de Israel na ONU, Ron Prosor, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que condene ‘imediatamente’ os ataques contra membros das embaixadas israelenses em diferentes pontos do mundo, pelos quais responsabiliza o Irã e o grupo radical xiita libanês Hisbolá.

‘O Conselho de Segurança deveria ter condenado os ataques imediatamente. Israel espera que o Conselho emita uma clara e inequívoca condenação hoje, sem demora’, disse Prosor em carta enviada ao principal órgão internacional de segurança e ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O diplomata israelense pediu ao Conselho de Segurança que além da condenar os atentados contra seus diplomatas na Índia, Geórgia e Tailândia, ‘responda a estas ameaças mediante medidas ativas contra o Irã, Hisbolá e sua infraestrutura terrorista mundial’.

As autoridades israelenses responsabilizaram recentemente o governo iraniano de uma série de tentativas de assassinato contra diplomatas israelenses perpetradas em Bangcoc, Nova Délhi e Tbilisi.

‘Esta campanha leva as inequívocas marcas do regime iraniano e das altas esferas do Hisbolá’, acrescenta a carta, na qual é ressaltado que ‘suas ações constituem uma clara ameaça contra a segurança e a estabilidade do Líbano, o Oriente Médio e os inúmeros países que foram alvo de seus ataques’.

Prosor ressalta aos 15 membros do Conselho de Segurança que esses ataques ‘não são incidentes isolados’, já que o ‘Irã está há muito tempo empregando o terrorismo internacional como pilar de sua política externa, utilizando o Hisbolá como seu representante para executar os atentados’.

Israel realiza simulação de ataque químico

Equipes de resgate, médicos e soldados participaram ontem de uma simulação de ataque químico na cidade de Hadera, no norte de Tel Aviv, em Israel.

O treinamento de rotina tem como objetivo preparar as forças israelenses para um eventual conflito onde armas biológicas sejam utilizadas.

Utilizando trajes de proteção e máscaras, as forças terrestres realizaram treinamentos de resgate, de socorro às vítimas e como transportar com maior agilidade os feridos deste tipo de ataque.

Israel e Chipre discutem exploração de gás natural no Mediterrâneo

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, fez a primeira visita oficial de um líder israelense ao Chipre. Ele encontrou-se na capital Nicósia com o presidente cipriota, Demetris Christofias.

Netanyahu disse que estabelecer relações pacíficas entre os dois países é do interesse de toda a região.

Mas a Turquia, que não reconhece o governo cipriota, disse que qualquer tentativa de explorar o gás natural vai aumentar as tensões na região.

Israel emite alerta generalizado de atentados

Os serviços secretos israelenses e o escritório de luta antiterrorista emitiram nesta sexta-feira um alerta generalizado de atentados e advertiram a população a agir com cautela em qualquer lugar do mundo.

O alerta foi divulgado por conta de informações recolhidas nos interrogatórios de vários suspeitos detidos em Bangcoc e Nova Délhi, informou a edição eletrônica do jornal Yedioth Ahronoth. “É importante que todos saibam que estamos diante de uma série de atentados”, disse uma fonte dos serviços secretos ao jornal.

Em Nova Délhi, a mulher de um diplomata israelense ficou ferida no início desta semana em um atentado com bomba contra seu carro, enquanto em Bangcoc o ataque foi evitado pelos serviços de segurança após a explosão de um artefato na casa que dois suspeitos tinham alugado.

Também foi registrada outra tentativa de atentado em Tbilisi, capital da Geórgia, onde o motorista do embaixador israelense percebeu que havia um objeto suspeito encostado no carro.

Israel acusa o Irã e o movimento libanês Hisbolá de estarem por trás desses ataques e de outras tentativas de atentados perpetradas no mês passado, mas Teerã negou participação nesses incidentes.

Segundo fontes de segurança israelenses, as bombas foram fabricadas no mesmo laboratório de Teerã e dois dos detidos em Bangcoc são de nacionalidade iraniana.

O escritório de luta antiterrorista, responsável por emitir esse tipo de alerta, não mencionou nenhum país em especial e pediu a todos os israelenses no exterior que não toquem em objetos suspeitos, não aceitem nada de desconhecidos e estejam atentos às instruções dos organismos de segurança locais.

O alerta também foi dirigido a organizações judaicas no mundo inteiro. Na quarta-feira, o governo dos Estados Unidos pediu aos grupos judeus em todo o país que adotem medidas de segurança.

Foguetes são disparados contra Israel sem deixar vítimas

Três foguetes disparados ontem à noite da Faixa de Gaza caíram no sul de Israel sem deixar vítimas ou causar danos, anunciou um porta-voz da polícia israelense. “Um foguete disparado de Gaza caiu no setor de Eshkol perto de um kibutz. Os outros dois artefatos explodiram em campos no outro setor”, afirmou o porta-voz, Micky Rosenfeld.

Desde o início do ano, cerca de 20 foguetes foram disparados contra o sul de Israel a partir do enclave palestino controlado pelo movimento islâmico Hamas, segundo o exército israelense.

Por ajuda dos EUA, partido egípcio ameaça tratado com Israel

O Partido da Liberdade e Justiça, uma formação nascida da Irmandade Muçulmana, maioria no Parlamento, ameaçou na última quarta-feira rever o acordo de paz com Israel, se os Estados Unidos decidirem pôr um ponto final à ajuda concedida ao Egito. As relações entre o Cairo e Washington tornaram-se tensas desde a invasão, em dezembro, das sedes de 17 ONGs na capital egípcia, entre elas, organizações americanas.

O Cairo anunciou, depois, que 43 pessoas, entre elas americanos, serão julgadas por terem realizado “atividades puramente políticas”. “A ajuda americana faz parte do acordo de Camp David entre Egito e Israel (…)”, explicou o presidente do PLJ, Mohamed Morsi, em comunicado.

O Egito recebe ajuda anual americana de US$ 1,3 bilhão. Parlamentares dos Estados Unidos advertiram que os processos contra membros das ONG poderiam colocá-la em risco.

Túmulo de Herodes retoma em Israel velho debate: reconstruir ou preservar?

O túmulo do mítico rei Herodes provocou em Israel a retomada do velho debate sobre se os vestígios da antiguidade devem ser reconstruídos com fins turísticos ou, ao contrário, preservados como testemunho da história nas condições em que foram achados.

A polêmica foi levantada por um projeto da Autoridade Nacional de Parques e Reservas Naturais de Israel, e do Conselho Regional do assentamento de Gush Etzion para reconstruir o túmulo do histórico rei da Judeia, que está atualmente em território palestino ocupado.

A iniciativa consiste na recuperação do mausoléu erguido há dois mil anos sobre a sepultura de Herodes, o Grande (73 a.C.- 4 d.C.), em uma jazida arqueológica conhecida como Herodion.

“Muita gente não entende a força que as civilizações antigas tiveram. As pessoas não imaginam o que aconteceu naquela época quando veem uma torre de 15 ou 20 metros. Eu acho que podemos dar a elas essa visão”, disse à Agência Efe Shaul Goldstein, um de seus promotores.

Goldstein, chefe da Direção de Parques e Reservas Naturais de Israel, quer recriar o túmulo em seu tamanho original de 25 metros de altura com materiais “desmontáveis”, no lugar da tradicional pedra bege típica de Jerusalém usada há dois mil anos e atualmente visível na maioria dos prédios da cidade.

“Seria feito de gesso e metal e poderia ser desmontado em apenas um dia”, disse Goldstein ao defender o projeto, alvo de duras críticas dos arqueólogos.

Um deles, Haim Goldfus, da Universidade Ben Gurion do Negev, recorreu da decisão ao considerá-la “incoerente”, já que a reconstrução, “por mais fidedigna que for, só servirá para distrair o visitante do que é verdadeiramente autêntico”.

A polêmica provocou a criação de uma comissão de especialistas que se reunirá em maio para estudar todos os argumentos, e só então a Direção de Parques decidirá se o túmulo, além da grande piscina, na frente, e a fortaleza, ao fundo, serão transformados em um centro turístico e incorporados ao itinerário das grandes construções do monarca.

Herodes, que reinou de 37 a.C. até sua morte, foi um dos principais arquitetos da região.

Grandes palácios como o de Massada, cidades como a de Cesareia Marítima, monumentos e centros públicos são algumas das construções criadas junto com sua obra prima: o segundo templo de Jerusalém, que ampliou e embelezou com uma suntuosidade digna da grande Roma, com a única intenção de ganhar o respeito de alguns súditos que o viam como estrangeiro.

A reconstrução do mausoléu ordenada por ele mesmo será inspirada no design do arqueólogo israelense Ehud Netzer, que o descobriu há cinco anos e que, paradoxalmente, morreu no mesmo lugar em 2010 ao cair de uma grade.

O imponente túmulo ficava sobre a encosta da fortaleza e tinha uma cobertura em forma de cone, como reflete uma reconstrução em “miniatura” (4 metros) que foi erguida no lugar em janeiro.

Goldfus lembrou que essa técnica ilustrativa é usada em diversas jazidas em Israel para dar uma ideia ao visitante do aspecto da região e que nunca foi proposta a reforma ou recriação na escala 1:1.

“É verdade que isso nunca foi feito, mas não é agora que vamos fazer uma réplica permanente do mausoléu nem proibir os arqueólogos de continuarem pesquisando”, disse Goldstein, cujo propósito declarado é estimular o turismo em uma comarca da qual foi prefeito e que Israel deseja anexar em um futuro acordo de paz com os palestinos.

Os arqueólogos, no entanto, consideram que o Herodion já é “suficientemente impressionante” e não precisa de recriações nem ajuda para convencer o turista de sua grandeza.

Nessa disputa também entrou o pesquisador Gideon Foerster, colega de profissão de Netzer e que advertiu em declarações ao jornal “Haaretz” que as conclusões sobre a aparência do monumento ainda não são definitivas.

Os dois arqueólogos também trouxeram ao debate um fator crucial: alguns arqueólogos ainda questionam a localização exata do túmulo do rei, um detalhe que não parece incomodar o grupo que apoia o projeto e que considera que a reconstrução “aproximada” não causa nenhum “dano às descobertas” arqueológicas nem “deforma a história”.

Um em cada cinco alemães tem preconceito contra judeus

Sessenta e seis anos após a rendição nazista na II Guerra Mundial, o antissemitismo continua presente em 20% da população alemã. Ou seja, 16 milhões de pessoas ainda têm forte preconceito contra judeus – número que equivale, por exemplo, à toda a população da Holanda. O levantamento consta de um relatório recente encomendado pelo Bundestag (Parlamento da Alemanha). Esse sentimento antissemita, porém, não está ligado necessariamente à violência ou a uma devoção por Adolf Hitler. O preconceito é velado, encoberto sob o tabu do holocausto que ainda incomoda essa sociedade, algo que pode ser facilmente comparado ao racismo no Brasil. “Não significa que essas pessoas ataquem os judeus, mas elas têm sentimentos antissemitas latentes, que não manifestam abertamente. São clichês, ressentimentos e preconceito”, explica ao site de VEJA a historiadora Juliane Wetzel, uma das especialistas do grupo que desenvolveu o estudo.

Mas é importante salientar que esse preconceito é tão perigoso quanto o da época do nazismo, ressalva Peter Longerich, professor de história e fundador do Centro de Pesquisas sobre o Holocausto da Universidade de Londres. Isso porque, explica ele, essas “piadas” são aceitas com naturalidade pela sociedade. O especialista, que participou da pesquisa ao lado de Juliane, divide esse antissemitismo em duas correntes: a crítica à política do estado de Israel e a ideia de que, de alguma forma, os judeus estão lucrando com o holocausto – como se a “obsessão” do mundo com o massacre da II Guerra Mundial fosse um lobby israelense. “Muitos alemães sentem vergonha do holocausto, mas há uma minoria que tenta se livrar desse problema comparando a ocupação dos territórios palestinos com o massacre de judeus na Alemanha nazista para tentar compensar seu sentimento de culpa, acusando os judeus de cometer crimes parecidos”, explica. “É uma espécie de antissemitismo silencioso e funciona como um protesto contra o discurso sobre os crimes da Alemanha na II Guerra Mundial”, completa.

O levantamento salienta ainda que esse sentimento não é algo novo. Há pelo menos 20 anos, o número de antissemitas no país varia entre 15% e 20% – e é essa estabilidade que preocupa especialistas, na realidade. “Obviamente, o preconceito e os estereótipos antissemitas são passados de uma geração para outra”, analisa Longerich. Só que essa não é uma exclusividade da Alemanha, ao contrário do que se possa pensar inicialmente. O sentimento antissemita pode ser observado por toda a Europa, algumas vezes até em proporções maiores. A explicação está, por exemplo, nos primórdios da Igreja Católica, que incentivava a perseguição a judeus na Idade Média, em países como Portugal, Espanha, Rússia, Hungria e Polônia.

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