Arquivos Mensais:fevereiro 2012

Técnica de irrigação subterrânea israelense será implantada em lavoura gaúcha

Gastar 40% menos de água e 30% menos energia, além de ampliar a produtividade na irrigação de lavouras é a promessa de um sistema de irrigação desenvolvido em Israel.

A novidade começa a ser utilizada em solo gaúcho.

Em Palmeira das Missões, o agricultor Flávio Fialho Velho inaugura no plantio desta safra de feijão o uso do equipamento subterrâneo. Ao contrário do popular sistema de pivôs, que irriga a lavoura por cima, o modelo israelense é estruturado por baixo da terra.

Para colocar em prática o projeto, Flávio separou 80 hectares dos 1,2 mil da propriedade. Deixou o espaço ocioso por alguns meses, mas garantiu o cultivo da próxima safra com irrigação em todos os ciclos:

— De 1993 até 2005, a minha preocupação era aumentar a área. Recentemente, mudei o modo de pensar e passei a investir em tecnologia, para ampliar a produtividade. Como está provado que a cada 10 anos enfrentaremos estiagem em sete, a irrigação se torna mais necessária.

O método consiste em uma rede de mangueiras enterrada no solo. A cada 50 centímetros, gotejadores liberam a água já com doses de adubo. A durabilidade da rede é de 15 anos.

— É economia de recursos hídricos e de adubo. A irrigação é diretamente na raiz da planta, aumentando a absorção — explica Rodrigo Schmitt, um dos proprietários da Analys Agricultura de Precisão, importadora da tecnologia desenvolvida pela Netafim para uma região de Israel onde a chuva anual dificilmente passa dos 300 milímetros.

— Nos próximos cinco anos vamos ampliar este tipo de irrigação para outros 460 hectares. É mais caro, mas consigo instalar em todo o terreno, deixando também espaço livre para as máquinas — acrescenta Flávio.

Engenhosidade israelense

O Deserto de Negev, em Israel, foi o berço de dezenas de empresas como a Netafim, muitas das quais nascidas em kibutz — espécie de comuna agrícola. Para cultivar alimentos em uma das regiões mais áridas do mundo, os israelenses desenvolveram tecnologia própria, que virou produto de exportação.

Nas ruas das maiores cidades, como Tel Aviv, onde fica a sede da empresa, a vegetação é irrigada por sistema subterrâneo.

Túmulo do século I pode esconder exemplo mais antigo de arte cristã

A exploração arqueológica, em 2010, de um túmulo intacto do século I, em Jerusalém, revelou aquilo que pode ser a mais antiga imagem cristã. A investigação foi feita utilizando uma câmara robótica que mostrou um conjunto de ossários em pedra calcária, gravados com uma inscrição grega e uma imagem que os especialistas identificam como sendo “claramente cristã”.

A inscrição grega de quatro linhas num dos ossários refere-se a deus “elevando” ou “erguendo” alguém e a imagem esculpida na pedra num ossário adjacente mostra um peixe muito grande com uma figura humana na boca. Os especialistas consideram que se trata da evocação da história de Jonas, profeta do Antigo Testamento.

No relato bíblico, Jonas foi engolido por um peixe, no mar Mediterrâneo, quando fugia de uma missão que lhe tinha sido destinada na Assíria pelo próprio Deus de Israel. Passou três dias e três noite na barriga do peixe antes de ser regurgitado. No Novo Testamento, nomeadamente no evangelho segundo São Mateus, Jesus refere-se ao “sinal de Jonas” como símbolo da sua futura ressurreição, três dias depois de morrer.

As imagens de Jonas na arte paleocristã (século II d. C.), simbolizando a esperança na ressurreição, são bastante comuns, nomeadamente nas catacumbas romanas. Não havia até agora registro de arte cristã relativa ao primeiro século. Os investigadores não acreditam que a imagem tenha sido realizada por seguidores do judaísmo, visto que na cultura judaica não são permitidas imagens de pessoas ou animais.

O túmulo investigado data de antes do ano 70 d. C., altura em que deixaram de ser utilizados ossários devido à destruição da cidade de Jerusalém pelos romanos. Se esta imagem for realmente cristã, será o registro arqueológico mais antigo deste tipo de arte, realizada pelos primeiros seguidores de Jesus.

O estudo está publicado online, num artigo de James Tabor, investigador da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte. A publicação do artigo é simultânea com a edição do livro «The Jesus Discovery: The New Archaeological Find That Reveals the Birth of Christianity», do mesmo autor e de Simcha Jacobovici, professor e realizador. Na próxima Primavera, o canal Discovery vai transmitir um documentário sobre esta descoberta.

Rota judaica passa por reestruturação

O Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco assinou convênio com o Ministério da Cultura (MinC), através da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura, para modernização do Museu Sinagoga Kahal Zur Israel. O incentivo de aproximadamente R$ 2,5 milhões ajudará a transformar a instituição em um centro de referência da cultura judaica. A primeira sinagoga das Américas fica na Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife.

Serão realizadas ações de sustentabilidade, acessibilidade e implantação de ferramentas interativas de tecnologia da informação, incluindo um portal que funcionará como um museu virtual. Outro destaque é a reestruturação da Rota Judaica em Pernambuco, que existe desde 2003 e passará a ser comercializada no segundo semestre por agências como opção de turismo cultural.

As obras na sinagoga começaram no fim do ano passado e têm prazo máximo de finalização até o mês de julho. O primeiro passo foi a sistematização dos núcleos de ação. “Teremos núcleo de pesquisa e ações educativas, de turismo, de tradições e religião judaica, e de arte e artesanato baseados na iconografia judaica em Pernambuco”, explica a professora Tania Kaufman, presidente do Arquivo Judaico.

Como atração turística, a sinagoga, que já recebe cerca de 700 visitantes por semana, terá uma série de atividades pedagógicas, voltadas para o público local, nacional e internacional. E já a partir do mês de março, os agendamentos para escolas e universidades podem ser realizados. Vale lembrar que cada grupo recebe um atendimento diferenciado, de acordo com o interesse de estudo dos participantes. Para os mais jovens, professores e arte-educadores desenvolvem atividades lúdicas.

Na programação, também haverá oficinas de cultura judaica e cenas dramatizadas por atores do Grupo de Teatro de Camaragibe. Os profissionais representarão passagens e personagens marcantes da história dos judeus no Estado, como Bianca Dias, Diogo Fernandes e Maurício de Nassau.

Mas, quem gosta de aprender história com o pé na rua não pode deixar de participar mesmo é da rota cultural judaica. O percurso deverá passar pela Mata Sul, destacando municípios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Sirinhaém, além de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Recife. “A nossa proposta é oferecer assessoria para operadoras de turismo venderem os pacotes. Cada rota poderia mudar a partir das necessidades dos turistas”, diz Tania.

O tour inclui os principais locais onde a cultura judaica ficou registrada, desde a chegada dos primeiros judeus no século 16. “A rota passará por Camaragibe e São Lourenço, conhecidos como a terra das sinagogas”, cita Tânia.

Para quem quiser se aprofundar na cultura judaica, o museu trará uma biblioteca especializada, com obras nacionais e internacionais adquiridas por Tânia em viagens ao exterior. “Terá mais de 2 mil títulos vindos da Holanda, Espanha, Portugal, entre outros países”, finaliza.

Legado de Anne Frank retornará a Frankfurt para exposição

O legado de Anne Frank, a menina judia que registrou em seu diário o período em que sua família esteve escondida dos nazistas em Amsterdã, voltará a Frankfurt, cidade onde ela nasceu, anunciaram na última terça-feira as autoridades locais.

Inúmeras peças da família, entre quadros, fotos, móveis, cartas e objetos de recordações, serão entregues ao Museu Judaico de Frankfurt, onde serão guardados, expostos e colocados à disposição dos especialistas. No entanto, a versão original de seu famoso diário permanecerá em Amsterdã, onde o mesmo foi escrito.

Enquanto a perseguição da família constitui o eixo central da Casa-Museu Anne Frank de Amsterdã, o Museu Judaico de Frankfurt deverá centrar sua exposição na história familiar.

“O dia de hoje marca o fechamento de um círculo, já que vamos traçar uma linha em comum entre as raízes da família e o futuro”, declarou Buddy Elias, de 86 anos, primo de Anne Frank e presidente da fundação que leva o nome da jovem judia, que morreu em 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.

Segundo Elias, a Fundação Anne Frank, localizada na cidade suíça de Basileia, preferiu se deslocar para Frankfurt por várias e boas razões, como o fato da cidade alemã possuir as raízes da família Frank.

“Importantes instituições que se dedicam ao estudo da Alemanha nazista estão aqui”, ressaltou Elias, que acrescentou que a editora Fischer de Frankfurt foi uma das que publicou e divulgou o famoso diário da jovem judia.

Alguns objetos da futura exposição permanente já se encontram na cidade alemã. No entanto, a maior parte dos objetos chegará ao museu somente quando sua reforma for concluída.

Segundo o Secretário Municipal de Cultura de Frankfurt, Felix Semmelroth, a reforma completa do local será concluída somente em 2015, porém, a exposição será aberta muito antes dessa data.

O diretor do Museu Judaico de Frankfurt, Raphael Gross, assinalou que o Centro da Família Frank contará com três espaços: uma exposição permanente, um arquivo e um centro pedagógico e de estudo.

Netanyahu pedirá a Obama que ameace Irã com um ataque militar

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedirá ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no encontro que manterão na próxima segunda-feira em Washington, que ameace publicamente o Irã com um ataque militar se o país persa não frear seu programa nuclear, informa hoje o diário “Ha’aretz”.

Netanyahu endurecerá o tom sobre o tema, que gerou notável “desconfiança” entre os dois aliados por suas diferenças sobre o papel das sanções e o tempo de espera requerido antes de bombardear o Irã, assinala o rotativo.

Seu objetivo é arrancar de Obama uma declaração pública mais belicosa que a repetida fórmula “todas as opções estão sobre a mesa”.

Netanyahu quer que Obama assegure de forma inequívoca que os Estados Unidos estão preparando uma operação militar para o caso de o Irã cruzar determinadas “linhas vermelhas”, aponta o diário com base em um alto funcionário israelense que não foi identificado.

Os preparativos para o encontro com Netanyahu, um dia depois do que manterá com o presidente israelense, Shimon Peres, estão sendo intensivos.

Ontem, a Casa Branca propôs ao escritório do primeiro-ministro israelense que os líderes emitam um comunicado conjunto após seu encontro para passar uma imagem de unidade.

A desconfiança mútua reinante se origina na percepção de que cada administração está interferindo nos assuntos internos do outro país.

Israel suspeita que Obama está tentando colocar a população israelense contra um ataque ao Irã, enquanto na Casa Branca acredita-se que Netanyahu está usando republicanos e o Congresso, onde são maioria, para pressionar Obama a dar sinal verde ao ataque.

Shimon Peres no Facebook

O presidente do Estado de Israel está aderindo ao Facebook e preparado para receber uma recepção quase real. Shimon Peres está planejando tirar vantagem da rede social para chamar os cidadãos do mundo a lhe fazer perguntas através de sua página oficial na rede social e até mesmo a sugerir ideias que possam promover a paz no Oriente Médio. A página de Peres, em sua versão israelense, será lançado na sexta-feira e a versão internacional será lançada com mais pompa e circunstância na sede do Facebook em San Francisco.

A iniciativa faz parte de um novo projeto para promover a paz. Seu principal objetivo é criar comunicação com os cidadãos de países que Israel não necessariamente têm relações diplomáticas, com ênfase sobre os cidadãos mais jovens de países árabes. O plano tem como objetivo capacitá-los a propor iniciativas pessoais em apoio à paz, em vez de esperar por ações governamentais. O presidente é esperado, no dia 6 de março, na sede do Facebook, no Vale do Silicio, onde se reunirá com o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg .

Peres também vai dar uma entrevista que será transmitida ao vivo no Facebook Live. Os membros do Facebook de todo o mundo terão a oportunidade de fazer perguntas ao presidente de Israel. Como parte dos preparativos para o lançamento, o músico Noy Alooshe irá produzir um vídeo-clipe em que Peres pede para os internautas para serem seus amigos no Facebook. No entanto, campanha cibernética de Peres não pára por aí. O Presidente comentou que também estão em andamento os preparativos para lançar o projeto “Peres 360″, que vai torná-lo “disponível” 24 horas por dia no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

As redes sociais serão sincronizadas para permitir o máximo de acessibilidade à atividade do presidente em tempo real. “O lançamento de uma página de Facebook para o presidente é uma medida extremamente importante para o fortalecimento dos laços entre o presidente e o público em geral em todo o mundo”, acrescentou o porta-voz Efrat Duvdevani, “e ele vai formar uma plataforma para promover sua visão de paz, oferecendo a exposição positiva para o Estado de Israel.”

Tecnologia israelense quer purificar água no espaço

Cientistas querem testar uma nova tecnologia de purificação de água no espaço. A iniciativa é do Instituto Fisher para Ar e Estudos Estratégicos Espaciais e a Strauss Water, subsidiária da maior rede de alimentos de Israel.

Até agora, as águas residuais de voos espaciais foram atiradas no espaço sideral. As equipes de pesquisa devem usar tecnologia biomédica à base de polímeros em condições de gravidade zero.

O novo sistema à base de polímero foi testado em órbita em um ônibus espacial da Nasa e removeu todas as bactérias e vírus da água utilizada com sucesso. A partir disso, foi possível criar esperanças para a mudança no sistema de descarte das águas residuais.

Segundo Dr. Eran Schenker, chefe do Centro de Pesquisa de Medicina Aeroespacial do Instituto Fisher de Israel, dessa forma, no futuro, os astronautas poderão usar a nova tecnologia de purificação de água israelense para reciclar a água usada, ao invés de descartá-la no espaço.

A novidade pode ser uma boa notícia para os astronautas de voos espaciais e para a vida na Terra. Isso porque que é preciso termos um sistema viável com urgência, capaz de facilitar a remoção eficaz de bactérias e vírus, em qualquer condição. A purificação da água é um processo crítico em regiões com escassez de água em todo o mundo.

Jogador israelense é alvo de racismo no Kaiserslautern

O Kaiserslautern, da primeira divisão da Alemanha, reportou um caso de preconceito étnico contra um de seus jogadores. O clube revelou que um grupo de torcedores insultou o atacante israelense Itay Shechter com uma saudação que era feita a Adolf Hitler na época do nazismo.

A equipe informou que o incidente aconteceu no último domingo, um dia após sofrer uma goleada por 4 a 0 diante do Mainz. O resultado fez com que o Kaiserslautern caísse para a penúltima colocação no Campeonato Alemão, se tornando um dos principais candidatos ao rebaixamento e gerando revolta da torcida.

De acordo com o clube, o grupo de “menos de dez” torcedores que participaram do ato racista já foram banidos de jogos da equipe por anos. Agora, os dirigentes esperam que a polícia os identifique para que seja possível a abertura de um inquérito.

Na capa de seu site oficial, o Kaiserslautern colocou a imagem de uma mão negra apertando outra branca sob os dizeres: “Racismo não tem lugar no Kaiserslautern”. Na nota em que informava o incidente, o clube garantiu que “se distancia de toda forma de racismo, discriminação e antissemitismo”.

Irã protesta no Conselho de Segurança por “ações hostis” de Israel

O Irã protestou ao Conselho de Segurança da ONU pelas supostas ações hostis de Israel contra o país e rejeitou as recentes acusações feitas contra Teerã pelo regime israelense, informou nesta sexta-feira a agência local Fars.

Em carta dirigida ao Conselho de Segurança, enviada com cópia ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Mohammad Khazaee, acusou o governo israelense de realizar “operações secretas, guerra cibernética, guerra psicológica e assassinatos de cientistas nucleares”, além de fazer “ameaças de guerra” contra o Irã, segundo a agência.

A carta foi divulgada um dia após o Conselho de Segurança da ONU condenar por unanimidade, a pedido de Israel, os ataques contra funcionários e membros das embaixadas israelenses em diferentes pontos do mundo, pelos quais o governo israelense culpa o Irã e o grupo fundamentalista xiita libanês Hezbollah.

“Infelizmente, a impunidade com a qual o regime sionista (Israel) conseguiu realizar seus crimes até agora o estimulou a continuar e inclusive aumentar seu desafio flagrante aos princípios mais básicos e fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”, acrescenta o documento de Khazaee.

Sobre os recentes atentados contra diplomatas israelenses em Nova Délhi, Tbilisi e Bangcoc, dos quais Israel responsabiliza o Irã e o Hezbollah, Khazaee negou o envolvimento de seu país. “Estas operações, assim como a atribuição dos atos de violência (ao Irã), são parte da guerra geral levada a cabo por esse regime (Israel) contra o Irã”, destaca a carta, que sugere que os próprios israelenses organizaram as ações contra suas missões diplomáticas para culpar Teerã.

Visitantes estrangeiros vão a Israel desvendar o Holocausto

Foi exatamente o que se podia esperar de um seminário de dez dias no Yad Vashem, museu e memorial do Holocausto localizado em Israel. A surpresa na verdade foram os alunos: 35 professores de Taiwan, nenhum deles especialistas na área, a maioria dos quais nunca sequer tinham conhecido um judeu. Mais surpreendente ainda foram algumas das lições que alguns levaram consigo.

“Antes de visitar o memorial, eu não sabia muita coisa à respeito do Holocausto e não me sentia bem com isso”, disse Jen-Hsiu Mei, um psicólogo e educador do jardim de infância. “Essa semana, eu aprendi que dentro dos campos de concentração as pessoas se ajudavam. Para mim, isso é algo que dá um novo significado aos valores humanos. Isso não é algo que eu esperava aprender aqui – sobre a esperança”.

Sete décadas depois do Holocausto, com os seus sobreviventes envelhecendo e morrendo, a chacina mais sistemática da história da humanidade está assumindo um papel cada vez maior e surpreendente no sistema educacional ao redor do mundo. O Yad Vashem, que abriu sua filial internacional de ensino na década de 1990, produz material em mais de 20 línguas, está ativo em 55 países e faz cerca de 70 seminários por ano para grupos de educadores que visitam o local.

Embora muitos acreditem que para tornar o assunto um conceito universal, é importante falar sobre o Holocausto no contexto de outros genocídios – Ruanda, Armênia e Camboja – a tendência do Yad Vashem é a de fazer o oposto disso, procurando se aprofundar nos detalhes da matança dos 6 milhões de judeus.

“Esse é o fenômeno mais complicado da história da humanidade”, disse Avner Shalev, presidente do Yad Vashem. “Como isso pode acontecer? Como é que a democracia parou de funcionar tão rapidamente? Como foi possível isso acontecer no auge do liberalismo? A única maneira de compreendê-lo é por meio dos detalhes.”

Yad Vashem tem crescido nos últimos anos passando de apenas um grupo de prédios em volta de um cenário bucólico para um movimentado campus de pesquisa, documentação, ensino e lembranças com um orçamento anual de US$ 45 milhões. Ele acaba de inaugurar um novo prédio para sua escola de educação internacional que contém salas de aula espaçosas e artefatos de alta tecnologia que lhe permitem realizar palestras para telespectadores no exterior.

Talvez o mais interessante no meio disso tudo é a maneira como o Holocausto está sendo ensinado e o que os alunos ao redor do mundo fazem com esse conhecimento. “Vivemos em uma época em que os jovens sabem pouco, porém tentam expressar grandes opiniões”, disse Dorit Novak, diretora da Escola Internacional Yad Vashem para os Estudos do Holocausto.

“O regime nazista queria apagar qualquer vestígio do povo judeu. Se você não entende isso, você não irá conseguir entender o evento por completo. Mas, paradoxalmente, quanto mais você se aprofundar nos fatos e em seus elementos, menos ele se torna um assunto apenas judaico. Ele se torna mais universal.”

O que ela quis dizer é que a maneira como um indivíduo lida com o mal pode ser compreendida em uma grande variedade de contextos. Além disso, identificar as fases do Holocausto – que começou lentamente, com um boicote às empresas judaicas, seguido por leis contra a “superlotação” nas escolas alemãs – pode ajudar a conter as tendências futuras em relação a discriminação e assassinatos em massa.

“O Holocausto não só mostra como a humanidade pode atingir um nível inferior de comportamento, mas também o quão superior ela pode ser também”, acrescentou. “Alguém em um campo de concentração que compartilhou o seu pão velho com um amigo faz a palavra amizade ganhar um novo significado.”

Novak disse que o número daqueles que passam pela escola é incrível. Ela lembra de ter perguntado a um grupo de berberes do Marrocos em um seminário por que tinham ido visitar o local. “Eles disseram que em seu país estavam tentando reconstruir a história berbere que havia sido ignorada ou perdida, e que tinham vindo para Yad Vashem para aprender a como se lembrar”, disse.

Nicolas Paz Alcalde, da aldeia de Jerte, na Espanha, disse entender o que queriam dizer. Ele e sua esposa administram uma escola para estrangeiros que procuram aprender a língua espanhola e descobriram que a antiga casa de pedra na qual sua escola está localizada tinha sido uma sinagoga até a Espanha ter expulsado os judeus no século 15.

“Isso ajudou a gente criar uma relação muito direta e emocional com a história judaica, e eu e minha esposa decidimos ir a Yad Vashem para estudar o Holocausto”, disse por telefone. “As pessoas estão cada vez mais despreocupadas com a história, e nós sentimos uma obrigação moral de trazer a memória do Holocausto à tona para elas.”

Ele escreveu uma peça sobre os dilemas de um professor de ética no Gueto da Varsóvia, nos anos 1940, e recrutou moradores para participarem da peça e a apresentou várias vezes nas escolas e centros comunitários de sua região.

Apesar de o mundo estar cada vez mais conscientizado sobre o Holocausto, em Israel há uma preocupação entre os liberais de que o assunto tem um papel grande demais na narrativa nacional, fazendo com que o país tenha a mentalidade de uma constante vítima.

Uma pesquisa feita com judeus israelenses em 2009 revelou que a única questão na qual houve uma concordância quase universal era a da necessidade de lembrar o Holocausto. Citando a pesquisa, Merav Michaeli, uma colunista do jornal Haaretz, afirmou que “o Holocausto é o único prisma através do qual a nossa liderança, seguida pela sociedade em geral, analisa cada situação.”

Ela acrescentou que a maneira na qual muitos israelenses enxergam os eventos mundiais, faz parecer com que “todas as nossas vidas sejam simplesmente um grande Shoah”. Esse foi também um ponto de vista expresso por Avraham Burg, ex-presidente do Parlamento, publicado em seu livro “The Holocaust Is Over; We Must Rise from Its Ashes” (“O Holocausto Acabou; Devemos Renascer de Suas Cinzas”, em tradução livre).

 

Ele pediu ao Yad Vashem que criasse um tribunal internacional de crimes contra a humanidade, acrescentando: “Israel deve deixar Auschwitz para trás, porque Auschwitz é uma prisão mental. A vida dentro do campo de concentração se tratava da sobrevivência misturada com culpa e vitimologia”.

Shalev, o presidente do Yad Vashem, afirmou que o Holocausto não deve ser a única fonte que venha a definir a identidade de Israel. Ainda assim, ele disse que o evento é claramente um elemento importante, acrescentando: “O Holocausto, de alguma forma, mantém unida a nossa identidade como povo. Ao mesmo tempo, o acúmulo de interesse sobre o Holocausto ao redor do mundo criou uma consciência sobre o conceito de genocídio em geral, e temos um papel importante a ser desempenhado nesse processo.”

Os tawaineses que vieram estudar em Israel concordaram. Eles disseram que iam levar os ensinamentos que aprenderam no memorial de volta para casa e que aplicariam esses conceitos a questões locais que lidam com discriminação e até mesmo assédio moral em suas escolas.

Paz Alcalde, o professor de espanhol, disse que também acreditar que estudar os detalhes de um determinado conjunto de eventos foi o melhor caminho para conseguir fazer com que um conceito maior surgisse.

“Não vejo qualquer dicotomia entre o particular e o universal”, disse. “A história do Holocausto é uma história de indivíduos e famílias reais, pessoas que também comemoravam aniversários e tinham sonhos. Uma vez que você começa a conhecê-los, a história deles se torna a sua história. “

 

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