Arquivo da categoria: Educação
Rostos de judeus perseguidos eternizados em fotografias
O Centro Português de Fotografia, em Porto recebe a exposição “E ainda vejo os seus rostos – fotografias de judeus polacos”, que retrata muitas das famílias de judeus que viveram na Polônia antes da Segunda Guerra Mundial, e que foram vítimas da perseguição nazista.
A exposição – que já passou por vários países e pode ser vista em Portugal até 3 de junho – nasceu do apelo de Golda Tencer, criadora da Fundação Shalom, que reuniu ao longo de vários anos mais de nove mil fotografias, enviadas por vizinhos e amigos, bem como por judeus espalhados por todo o mundo. Em 1994, Golda Tencer lançou uma campanha para o envio de fotografias aos judeus polacos, e começou a receber fotografias não só de toda a Polônia, como também dos pontos mais distantes do mundo. “São familiares de pessoas assassinadas que hoje vivem em Israel, na Venezuela, no Brasil, nos Estados Unidos, na Itália, na Argentina, no Canadá”, diz Golda Tencer no texto de apresentação da exposição, acrescentando que “algumas das fotografias eram guardadas como preciosíssimas recordações, outras estavam abandonadas em sótãos e gavetas.
Judeus ortodoxos discutem “tentações” da web e formas de proteção
Milhares de judeus ortodoxos de Nova York participaram de um encontro sobre como lidar com a internet. A comunidade tende a se preocupar com possíveis tentações online. Foram discutidos temas como a melhor forma de proteger crianças de pornografia e de sites violentos, além de discutir o avanço das redes sociais. Do lado de fora, manifestantes diziam que o problema não é a internet e acusaram os judeus ortodoxos de fecharem os olhos para os abusos sexuais que acontecem na comunidade.
Israel construirá museu sobre vida Albert Einstein
Israel construirá um museu sobre a vida e o legado de Albert Einstein. Antes de morrer, o físico judeu doou todos os seus documentos à Universidade Hebraica de Jerusalém. 80 mil peças do acervo da Universidade devem estar no novo museu.
O governo israelense aprovou um investimento de um milhão de shekels – mais de 200 mil euros – e aposta no museu como um novo ponto turístico e cultural do país.
História de língua falada entre judeus marroquinos da Amazônia é contada em livro
Um conhecimento e uma tradição passados de pai para filho e que pareciam perdidos no passado de imigrantes judeus marroquinos que escolheram a Amazônia para viver. As afirmações de que a hakitía, língua de ocultação falada entre judeus de países como Marrocos, Israel, Canadá e Venezuela era uma língua morta, serviram de estímulo para que o linguista e narratólogo paraense Álvaro Cunha decidisse ir a fundo na pesquisa para confrontar e mostrar que a língua ainda está bem viva.
O estudo mais aprofundado da hakitía começou em 2003 e o professor conta que realizou todo o apanhado histórico baseado em conhecimento oral, já que não existia nada escrito sobre a língua. Álvaro Cunha viajou de barco de Belém até Manaus e visitou várias cidades do interior dos dois Estados como Parintins, Humaitá, Maués e até de outros países como Letícia, na Colômbia, atrás de pessoas que pudessem ajudá-lo nesta missão.
Um desafio enfrentado pelo professor foi o de não existir um recenseamento das famílias judaicas na Amazônia. “Nem o Comitê Israelita do Amazonas ou o Centro Israelita do Pará possuem dados exatos de quantos judeus vivem nestes estados, isso é resultado do contexto histórico vivido na época em que estas famílias chegaram ao Brasil”, conta. “Por causa da perseguição e do preconceito que os judeus enfrentavam, muitos sentiam vergonha de falaram da sua origem, alguns afirmavam que eram turcos e guardavam suas particularidades religiosas em casa, entre a família”.Com o passar dos anos e o relacionamento dos judeus entre os habitantes locais era previsível a miscigenação. Muitos judeus marroquinos casaram-se com amazonenses e a bagagem cultural trazida de seus países de origem ficou preservada entre as famílias. Cunha conta que a hakitía é considerada uma língua de ocultação, ou seja, falada apenas por grupos de pessoas em ambientes específicos, principalmente no familiar. Ela é resultado da união de três idiomas: o castelhano do século XV, o árabe marroquino e o hebraico litúrgico ou bíblico. Segundo informações do próprio autor, ela deve ter 516 anos de existência.
Uma curiosidade revelada pelo estudioso é de que existem muitos caboclos judeus da Amazônia que nunca pisaram em uma sinagoga mas que falam a hakitía, resultado da tradição passada oralmente de pai para filho. Além da hakitía que é falada no Marrocos, Brasil, Venezuela e Canadá, existem o ídiche, muito comum no leste europeu e o ladino, falado em países como Israel, Turquia e Espanha.
Com este livro lançado em maio de 2012, Álvaro Cunha acredita que um novo olhar será lançado sobre a hakitía trazendo à tona um pouco também da história dos judeus marroquinos da Amazônia.
Pesquisador de Israel faz palestra na UFMG
O pesquisador Ernesto Joselevich, do Weizmann Institute of Science, de Israel, fará palestra sobre nanotecnologia nesta terça-feira, 22, às 10h, na Sala de Seminários do Departamento de Física. Com pesquisas concentradas no desenvolvimento de nanotubos e nanofios, o professor trabalha no Departamento de Materiais e Interfaces do Weinzman, que é um dos mais importantes institutos multidisciplinares do mundo.
A nanotecnologia é o estudo da manipulação da matéria em escala atômica e molecular e tem como princípio básico a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos. Nanotubos e nanofios são algumas dessas estruturas, com propriedades mecânicas e eletrônicas que se tornam atraentes para os blocos de construção da nanoelectrônica e de sistemas nanoelectromecânicos (Nems).
Joselevich e seu grupo de pesquisa foram pioneiros no que se chamou de “crescimento orientado”, uma abordagem para a geração de nanotubos e nanofios ordenados, dirigidos por superfícies. O crescimento das nanoestrutuas pode ser dirigido eletricamente e com fluxo de gás, para atingir a auto-organização em arquiteturas diversas. O grupo desenvolveu o método em nanotubos de carbono e ainda ampliou a abordagem para nanofios inorgânicos, incluindo nanofios de GaN perfeitamente alinhados em orientações cristalográficas, com milímetros de comprimento.
Museu do Holocausto participa da Semana Nacional de Museus
O Museu do Holocausto de Curitiba participa da 10ª Semana Nacional de Museus, que acontece anualmente para comemorar o Dia Internacional de Museus. Essa edição vai até o próximo domingo (dia 20) e reúne instituições museológicas de todo o país, que promovem eventos em torno do tema “Museus em um Mundo em Transformação – novos desafios, novas inspirações”.
“Neste domingo, faremos uma visita especial, abordando o tema da Semana e distribuindo material do evento. Ao final do encontro, receberemos os visitantes no auditório Anne Frank, dentro do Museu, para falar sobre a queda de barreiras para o acesso a informações sobre o Holocausto e o desafio em contar essas histórias”, comenta Carlos Reiss,coordenador do Museu do Holocausto de Curitiba.
O Museu do Holocausto de Curitiba foi aberto em fevereiro desse ano e recebe o público para visitas agendadas e gratuitas. Além disso, conta com um projeto educativo destinado a professores e estudantes de escolas públicas e privadas.
O Museu do Holocausto de Curitiba é o único do gênero no Brasil. Além do acervo histórico, o Museu oferece terminais com computadores para a consulta digital de documentos e arquivos de áudio e vídeo sobre a história de alguns itens do acervo.
Serviço
Museu do Holocausto de Curitiba
Rua Cel. Agostinho de Macedo, 248, Bom Retiro – Curitiba – PR
Telefones do Museu: (41) 3093-7462 e (41) 3093-7461
Site: www.museudoholocausto.org.br
Rússia terá seu primeiro museu de História Judaica
Será aberto em novembro deste ano, em Moscou, o Museu Russo de História Judaica e Centro de Tolerância, o primeiro grande museu com temática judaica da Rússia.
Borukh Gorin, chefe do Departamento de Relações Públicas de Comunidades Judaicas da Federação Russa, diz que o museu usará tecnologias audiovisuais e terá como foco a interatividade.
As exposições serão dedicadas à civilização judaica, seus fundamentos espirituais e realizações culturais. O museu contará com um complexo educacional com espaços para exposições, uma biblioteca, salas de conferências e um centro de pesquisa. Já foi feito um acordo entre o Ministério da Educação russo e o museu para que crianças em idade escolar visitem o novo centro cultural.
Roman Polanski anuncia oficialmente seu próximo filme
Roman Polanski anunciou oficialmente seu próximo filme: O drama D, com roteiro de Robert Harris (que escreveu O Escritor Fantasma com o diretor), baseado no famoso caso Dreyfus.
Não conhece o caso Dreyfus? Leia o resumo dele divulgado junto com o pronunciamento do diretor:
“Em dezembro de 1894, o capitão Alfred Dreyfus, um dos poucos oficiais judeus do exército francês, foi submetido a um julgamento da corte marcial por revelar segredos aos alemães. Ele foi sentenciado à prisão perpétua e enviado a Devil’s Island. No entanto, o homem encarregado de impedir que ele saísse da prisão – o coronel Georges Picquart, o novo chefe da inteligência francesa – começou a perceber que cometeu um erro, e que o verdadeiro traidor ainda estava solto. Seus esforços para provar isso o levaram a um confronto direto com seus superiores e ele também foi acusado por crimes que não cometeu e enviado à prisão. Dreyfus acabou sendo absolvido 12 anos depois”.
Polanski, que é judeu e teve a mãe assassinada em Auschwitz, declarou: “Eu venho desejando fazer um filme sobre o caso Dreyfus há um bom tempo, tratando-o não como um drama de época, mas como uma história de espionagem. Desta forma pode-se mostrar a relevância absoluta do que está acontecendo no mundo hoje – o velho espetáculo de caça às bruxas de grupos minoritários, paranoias de segurança, tribunais de segredos militares, Agências de inteligência fora do controle, com o governo encobrindo, e uma imprensa fanática.”
O caso Dreyfus já foi retratado três vezes em filmes: em L’Affaire Dreyfus, de Georges Méliès (1899), I Accuse!, de Jose Ferrer (1958) e no filme para a TV Prisoner of Honor, de Ken Russell (1991).
Santuários descobertos em Judá
Arqueólogo da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriu santuários de culto que remontam ao tempo do Rei Davi.
Professor Yosef Garfinkel diz que sua descoberta em Khirbet Qeiyafa, uma antiga cidade fortificada localizada 30 quilômetros a sudoeste de Jerusalém e adjacente ao vale de Elá, comprovam a narrativa bíblica sobre como era a região antes da construção do Templo de Salomão.
“Esta é a primeira vez que arqueólogos descobriram uma cidade fortificada em Judá datada do período do rei Davi”, explicou Garfinkel em um comunicado de imprensa. “Nem mesmo na região de Jerusalém achamos uma cidade fortificada tão bem conservada deste período”.
“Pela primeira vez na história temos objetos reais do tempo de Davi, que podem estar relacionado com os monumentos descritos na Bíblia”, comemora o comunicado de imprensa, do Ministério das Relações Estrangeiras de Israel. Curiosamente, o anúncio foi feito poucos dias após um “selo” do mesmo período ter sido localizado em Jerusalém.
O grupo de arqueólogos liderado por Garfinkel descobriu várias peças em um local de escavação perto da cidade israelense de Bet Shemesh. Eles podem ser suficientes para mudar o modo como é vista a descrição bíblica dos reinados de Davi e Salomão.
A descoberta é composta de três caixas esculpidas em pedra, com cerca de 20 centímetros de altura, usadas para armazenar objetos do culto.
“Seu design meticuloso correspondem às descrições bíblicas do palácio e do Templo de Salomão”, disse Garfinkel, que passou cinco anos escavando Khirbet Qeiyafa, também conhecida como a “Fortaleza de Elá”, uma cidade cercada por muralhas e localizada estrategicamente entre Jerusalém e as cidades habitadas pelos filisteus.
A Torá narra com detalhes os reinados de Davi e Salomão, durante o século 10 aC, mas até hoje há pouquíssimas evidências que confirmem sua magnitude ou até mesmo a sua existência. Em Jerusalém há abundância de vestígios do período do Segundo Templo (século 6 aC), mas as referências ao primeiro Templo ainda são objeto de debate acadêmico e político.
Um deles é um muro de 70 metros, com uma alta torre de vigia que foi desenterrada perto das muralhas da cidade antiga de Jerusalém, dois anos atrás. Ela foi identificada como um possível trabalho do rei Salomão. Estruturas fortificadas do mesmo tamanho foram encontrados em Khirbet Qeiyafa, cuja construção data entre os séculos 10 e 11 aC.
Entre os achados de agora estão peças de cerâmica, ferramentas feitas de pedra e metal, obras de arte, e três salas que serviriam de santuários. Os itens encontrados, diz Garfinkel, revelam que as pessoas que viviam ali eram monoteístas e não tinham um ícone. Ou seja, não adoravam imagens de escultura de seres humanos ou animais.
“Ao longo dos anos, milhares de ossos de animais foram encontrados, incluindo ovelhas, cabras e gado, mas nunca de porcos. Agora descobrimos três salas de culto, com vários apetrechos, mas nenhuma imagem de culto humana ou animal foi encontrada”, disse Garfinkel.
“Isto comprovaria que a população local obedecia duas proibições – carne de porco e imagens esculpidas. E também que seu culto diferia dos cananeus ou dos filisteus”, disse Garfinkel.
Morre Maurice Sendak, autor de “Onde Vivem os Monstros”
Maurice Sendak, considerado um dos mais importantes escritores e ilustradores de livros para crianças do século XX, autor de “Onde Vivem os Monstros”, morreu na última terça-feira aos 83 anos. Segundo o The New York Times, Sendak não recuperou de um ataque cardíaco que sofreu há pouco tempo.
Conhecido por abordar temas até então considerados pouco apropriados para crianças, Maurice Sendak fica para sempre lembrado pelo livro “Onde Vivem os Monstros” (“Where the Wild Things Are”, no título original), sobre Max, um pequeno rapaz que se torna “rei das coisas selvagens”. O livro vendeu mais de 19 milhões de exemplares em todo o mundo.
Publicado pela primeira vez em 1963, “Onde Vivem os Monstros” já é considerado um clássico da literatura infantil, estando traduzido em dezenas de línguas. Foi adaptado ao cinema em 2009 pelas mãos de Spike Jonze, com argumento do próprio realizador em parceria com Dave Egger, o escritor convidado por Sendak para escrever um romance (“O Sítio das Coisas Selvagens”, Quetzal, 2009) que recriasse a história de Max e dos seus amigos monstros. A banda sonora do filme foi composta e produzida por Karen O, dos nova-iorquinos Yeah Yeah Yeahs.
Filho de pais judeus imigrantes, Maurice Sendak nasceu em Brooklyn, nos Estados Unidos, em 1928. Apesar de distante geograficamente da perseguição dos nazis aos judeus, o escritor lembrou várias vezes o sofrimento dos pais quando recebiam a notícia da morte de familiares e amigos.
O seu último livro publicado em vida, “Bumble-Ardy”, chegou às lojas no ano passado e tem como herói um porco órfão. Antes de morrer, o escritor estava a trabalhar numa nova história, “My Brother’s Book”, dedicado ao seu irmão que morreu. O livro vai ser publicado em fevereiro do próximo ano.





